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A Cidade Pulsante

Myriath revelou-se a Edric antes mesmo que ele cruzasse seus portões. A cidade erguia-se como um emaranhado vivo de torres, telhados e passagens elevadas, crescendo em camadas irregulares ao redor de antigas muralhas de pedra escurecida. Bandeiras de cores gastas pendiam de varandas estreitas, balançando ao vento como sinais de uma vida que jamais cessava, e o som da cidade — vozes sobrepostas, rodas rangendo, sinos distantes, pregões em línguas que Edric não reconhecia — chegava até eles como uma maré constante. Não havia solenidade na entrada. Myriath não aguardava ninguém; engolia todos.

Os quatro avançaram juntos pelo arco principal, misturando-se à corrente humana que entrava e saía sem pausa. Mercadores empurravam carroças carregadas de tecidos e especiarias, guardas observavam com atenção treinada, viajantes cansados discutiam preços ainda antes de encontrar pouso. Edric sentiu, quase de imediato, que ali não havia lugar para passos indecisos. Cada pessoa parecia saber exatamente para onde ia, ou ao menos fingia saber, e essa certeza coletiva o deixava estranhamente deslocado.

Poucos passos além do portão, o grupo diminuiu o ritmo, como se todos compreendessem que aquele era o ponto natural de separação. Lorien foi o primeiro a falar. Parou, apoiou a mão no cabo gasto da própria bolsa e olhou para Edric com um meio sorriso cansado, mas sincero.

— É aqui que nossos caminhos se dividem — disse. — Myriath não costuma ser gentil com quem chega cheio de perguntas… mas você já percorreu um bom trecho para desistir agora. Que os ventos lhe sejam favoráveis, Edric. Boa sorte nessa nova empreitada.

Edric assentiu, sentindo um peso inesperado no peito. Aquela breve companhia na estrada, ainda que formada por estranhos, fora um raro intervalo de segurança desde que deixara Eldorwyn.

Brann, de poucas palavras e cerimônias, fez um aceno com a cabeça. Edric retribuiu o aceno. Maia aproximou-se em seguida. Havia nela uma atenção constante ao redor, como se a cidade inteira fosse um texto a ser lido nas entrelinhas. Antes de se afastar, inclinou-se levemente e falou em tom baixo, quase conspiratório.

— Ouvi um nome nos mercados, dias atrás — disse. — Um escriba, aquele que comentei com você antes. Ele não é um mago, mas lida com mapas antigos, contratos velhos e histórias que poucos se dão ao trabalho de registrar. Chamam-no de Tavian. Dizem que, se alguém em Myriath souber apontar um caminho sem fazer perguntas demais, é ele.

Edric guardou o nome como quem guarda uma moeda rara. Não agradeceu com palavras longas; apenas inclinou a cabeça, consciente de que, em Myriath, promessas e despedidas não costumavam durar.

Um a um, cada qual tomou seu rumo. Brann foi carregar sua carroça. Lorien desapareceu entre soldados e carregadores. Maia seguiu na direção oposta, misturando-se às vielas mais estreitas, onde o fluxo parecia menos previsível. Em poucos instantes, Edric estava sozinho, parado no meio da multidão, sentindo pela primeira vez o verdadeiro peso da cidade.

Myriath não lhe oferecia acolhimento nem hostilidade — apenas indiferença. As fachadas altas projetavam sombras irregulares sobre as ruas, e o céu parecia distante, recortado por pontes suspensas e varandas de madeira. O cheiro de pão assado misturava-se ao de peixe salgado e fumaça, e cada esquina prometia algo diferente: oportunidade, engano ou esquecimento.

Edric ajustou a alça da bolsa no ombro e respirou fundo. A noite não tardaria, e aprendera rápido demais que não se atravessava uma cidade como aquela sem abrigo. Antes de buscar respostas, antes mesmo de pronunciar nomes perigosos, precisava de um lugar onde pudesse fechar os olhos sem medo de acordar sem suas poucas posses.

Com isso em mente, deixou-se levar pela corrente das ruas, decidido a encontrar uma estalagem e a sobreviver à primeira noite em Myriath. A cidade teria tempo suficiente para testá-lo depois.

Edric encontrou a estalagem ao se afastar algumas ruas do burburinho mais intenso. Não era um lugar chamativo, nem tentava competir com as casas maiores próximas ao mercado, mas chamava atenção pela limpeza discreta e pela madeira bem cuidada da fachada, escurecida pelo tempo. Havia ali uma sensação de ordem silenciosa, como se o espaço fosse mantido por alguém que entendia o valor da constância mais do que o do lucro fácil. Ao entrar, percebeu o cheiro familiar de sopa quente e pão recém-assado, algo que lhe trouxe um breve conforto depois da inquietação da cidade.

Pagou pelo quarto com cuidado, calculando mentalmente suas moedas antes mesmo de retirá-las da bolsa. Não lhe faltava dinheiro naquele momento; os anos de trabalho no campo lhe haviam rendido o suficiente para iniciar a jornada com alguma segurança. Ainda assim, Edric sabia que Myriath não era uma cidade para gastos impensados, e não fazia ideia de quanto tempo sua busca poderia levar. Meses, talvez. Luxo não era apenas desnecessário — era um risco. Além disso, ele jamais sentira atração por excessos. A vida simples sempre lhe fora natural, e não havia vergonha alguma nisso.

No quarto, guardou seus poucos pertences com cuidado, como se o ato de organizá-los ajudasse a impor alguma ordem àquele novo mundo. A luz ainda não desaparecera por completo, e Edric decidiu sair mais uma vez antes do anoitecer, não para buscar respostas, mas para deixar que a cidade se revelasse a ele aos poucos.

Caminhou sem rumo definido, deixando-se levar pelas ruas e pela corrente de pessoas. Myriath era, sem dúvida, maior do que qualquer cidade que já visitara — talvez até maior que Varethia em extensão e diversidade —, mas a diferença entre elas não estava apenas no tamanho. Varethia sempre lhe parecera envolta em solenidade, quase reverente, à maneira de uma cidade cujas pedras carregavam o peso da tradição e do respeito à magia. Myriath, por outro lado, pulsava. Havia nela um movimento constante, um fluxo que não cessava; a própria cidade parecia respirar e se mover de acordo com vontades invisíveis.

Em cada esquina, Edric via algum tipo de troca acontecendo. Moedas mudavam de mãos, mercadorias eram avaliadas em murmúrios rápidos, olhares se cruzavam com intenções difíceis de decifrar. Algumas transações eram claramente legítimas; outras, nem tanto. E, ainda assim, tudo parecia coexistir em um equilíbrio precário, aceito por todos como parte da vida urbana.

Ao se aproximar do mercado principal, sentiu o impulso de explorá-lo, mas conteve-se. Aquele lugar exigia tempo e atenção, e Edric não pretendia se perder em sua vastidão logo no primeiro dia. Se precisasse de semanas em Myriath para encontrar algo relevante, que assim fosse. A pressa, ele sabia, raramente levava a bons caminhos.

Quando o céu começou a escurecer, retornou à estalagem e desceu para o salão principal, agora tomado por vozes e movimento. O lugar estava cheio. Conversas se sobrepunham, risadas surgiam aqui e ali, e o tilintar de talheres marcava um ritmo constante. Após pedir sua refeição, Edric procurou um lugar para se sentar e avistou um ferreiro sozinho, o corpo largo curvado sobre o prato.

— Posso me juntar a você? — perguntou, apontando para a cadeira vazia.

O homem ergueu o olhar por um instante, avaliou Edric sem grande interesse, deu de ombros e voltou a atenção à comida. Edric sentou-se e tentou puxar conversa, comentários simples sobre a cidade, o movimento, o trabalho. Recebeu apenas resmungos curtos, respostas sem continuidade. Não insistiu. Começou a comer em silêncio, e pouco depois o ferreiro terminou a refeição, levantou-se e foi embora sem despedidas.

Alguns minutos se passaram até que um senhor de idade, rosto marcado pelo tempo e sorriso fácil, aproximou-se da mesa.

— Posso me sentar? — perguntou, já puxando a cadeira.

— Claro — respondeu Edric, devolvendo o sorriso.

O homem falava com prazer, contando histórias de sua vida, mencionando o ofício que já não exercia e, com especial orgulho, a netinha que o visitava sempre que podia. Edric ouviu com atenção genuína, fazendo perguntas ocasionais, sentindo-se estranhamente à vontade naquela conversa despretensiosa.

Em certo momento, o senhor perguntou de onde Edric vinha. Ele contou que era camponês de Eldorwyn e que havia decidido viajar até Myriath em busca de algumas informações. O homem arqueou as sobrancelhas, curioso, e perguntou do que se tratava. Edric hesitou apenas um instante antes de mencionar o nome do escriba Tavian.

O sorriso do senhor manteve-se, mas ele balançou a cabeça.

— Esse nome não me é familiar — disse. — Mas, se está atrás de alguém que lide com registros e números, talvez deva começar pela área oeste do mercado principal. Os mercadores de tapeçarias se reúnem por lá. Gente organizada, que gosta de tudo contado e anotado. Se alguém souber apontar um escriba, deve ser ali.

Edric agradeceu sinceramente pela sugestão. Após terminar a refeição, despediu-se do homem e subiu para o quarto. Deitou-se ainda com o som distante da cidade atravessando as paredes, consciente de que aquele fora apenas o primeiro de muitos dias em Myriath. Antes de adormecer, repetiu mentalmente o nome que Maia lhe dera.

Tavian.

A busca começaria pela manhã.

Na manhã seguinte, Edric dirigiu-se à área oeste do mercado principal, onde as tendas de tapeçarias se alinhavam em fileiras organizadas, formando corredores de cores ricas e tecidos pendentes que balançavam suavemente com a brisa. Ali, o ar parecia diferente — menos carregado de gritos e barganhas apressadas, mais dominado por conversas medidas, avaliações silenciosas e olhares atentos. Era um setor frequentado por pessoas bem vestidas, com moedas suficientes para gastar não apenas por necessidade, mas por ostentação. Bastaram poucos passos para Edric perceber o quanto destoava daquele ambiente. Camponeses não compravam tapeçarias, e todos ali sabiam disso.

Ainda assim, não desistiu. Aproximou-se de uma banca, tentou observar os tecidos como vira outros fazerem, mas os mercadores mal lhe dirigiam o olhar. Quando tentava iniciar uma conversa, era interrompido por respostas secas ou simplesmente ignorado. Alguns compradores o fitavam com desconfiança aberta, como se sua simples presença fosse um incômodo. Houve quem interpretasse sua aproximação como pedido de esmola, afastando-o com um gesto impaciente da mão, sem sequer ouvir suas palavras. Em outras tendas, os vigilantes posicionavam-se discretamente à sua frente, bloqueando sua passagem, os olhos atentos demais para alguém que apenas observava. Edric começou a entender que, naquele setor do mercado, ele não era apenas deslocado — era suspeito.

Decidiu então mudar de abordagem. Passou a mostrar algumas moedas na palma da mão, dizendo que tinha interesse em adquirir uma tapeçaria. Por alguns instantes, isso funcionou. Os olhares tornaram-se avaliadores, as posturas se abriram, e um ou outro mercador se dispôs a explicar qualidades, tramas e origens. Mas o disfarce logo se desfazia. Quando perguntado sobre tamanhos, usos ou preferências, Edric não sabia responder. Não compreendia a linguagem daquele comércio, nem os critérios que diferenciavam uma tapeçaria valiosa de outra comum. O interesse se esvaía tão rápido quanto surgira, e ele voltava a ser ignorado, agora com um leve traço de desdém.

Foi então que percebeu o erro. Mostrar dinheiro atraía atenção demais. Ao se afastar de uma das bancas, sentiu o peso de olhares persistentes sobre si. Continuou andando, fingindo não notar, mas logo teve certeza de que estava sendo seguido. Duas, talvez três figuras mantinham distância, ajustando o passo sempre que ele ajustava o seu. O coração de Edric acelerou. Olhou em volta à procura de guardas, mas não viu nenhum nas proximidades. O setor parecia ordeiro demais para precisar deles — ou talvez apenas escondesse melhor seus perigos.

Apertou o passo. Os outros fizeram o mesmo. Sem pensar muito, cortou por uma viela estreita entre duas fileiras de tendas, desviando-se do fluxo principal. A passagem o levou de volta à área mais movimentada do mercado, onde a multidão se adensava. Era ali que precisava estar. Sob muitos olhos, um assalto seria arriscado demais.

Ao emergir entre as pessoas, avistou uma banca de tapeçarias um pouco mais afastada, onde um homem de meia-idade estava sentado, concentrado em pergaminhos dispostos sobre a mesa. Dois vigias permaneciam próximos, atentos, mas relaxados. Edric correu até eles, sem disfarçar o nervosismo.

— Preciso da ajuda de vocês — disse apressado. — Estou sendo seguido. Acho que vão me assaltar.

O mercador ergueu o olhar, sério. Os vigias mudaram de postura imediatamente, os semblantes fechando enquanto se posicionavam à frente da banca, prontos para afastar Edric. Mas antes que o fizessem, o mercador olhou além dele e percebeu as figuras que se moviam cautelosamente na rua, fingindo interesse em outras tendas, mas mantendo atenção clara demais sobre aquele ponto.

O homem então sorriu.

— Querido sobrinho! — exclamou, abrindo os braços. — Há quanto tempo! Sente-se aqui ao meu lado e me conte as novidades do campo!

Edric entendeu o jogo no mesmo instante. Sentou-se, inclinando-se para o mercador, e respondeu sem hesitar.

— A colheita em Eldorwyn foi farta este ano — disse. — Trabalho pesado, como sempre. Minha mãe… quer dizer, sua irmã… anda reclamando da saudade. Vive perguntando quando o senhor vai aparecer por lá.

Os vigias avançaram alguns passos, aproximando-se das figuras suspeitas. Bastou isso. Um deles virou a esquina, outro misturou-se à multidão, e o terceiro desapareceu entre as tendas. Não arriscariam assaltar o suposto sobrinho de um mercador bem protegido.

Quando a tensão se dissipou, Edric respirou aliviado.

— Muito obrigado — disse, levantando-se. — Meu nome é Edric.

— Darien — respondeu o mercador, recolhendo os pergaminhos com calma. — E você devia tomar mais cuidado por onde anda.

Aproveitando a oportunidade, Edric mencionou sua busca por Tavian. Darien franziu o cenho, pensativo.

— O nome não me é estranho — admitiu —, mas não consigo ligá-lo a ninguém aqui neste setor. Se procura um escriba, estará perdendo tempo entre tapeçarias. Vá à área central do mercado. É lá que oferecem serviços de escrita, registros e contratos. Terá mais sorte.

Edric agradeceu. Antes de se afastar, hesitou por um instante e decidiu arriscar mais uma pergunta. Mencionou magia, de forma vaga. Darien balançou a cabeça, quase sorrindo.

— Isso é coisa distante da vida comum de Myriath — disse. — Magos não fazem parte do meu mundo, nem do da maioria das pessoas aqui. Não posso ajudá-lo com isso.

Edric compreendeu. Despediu-se com respeito e se afastou, sentindo ainda o eco da tensão no corpo. Agora tinha um novo rumo claro: a área central do mercado principal. Ali, talvez, o nome de Tavian deixasse de ser apenas um som lançado ao acaso entre estranhos.

Edric seguiu em direção à área central do mercado principal, deixando para trás o setor mais ordenado das tapeçarias. À medida que avançava, o ambiente mudava de forma quase imperceptível. As tendas tornavam-se menores, mais funcionais, e o fluxo de pessoas assumia outro ritmo: menos ostentação, mais urgência. Ali não se negociavam adornos para paredes ou símbolos de status, mas palavras, registros e acordos que sustentavam a vida da cidade.

Não demorou para encontrar o local onde os serviços de escribas eram oferecidos. Bancas simples, mas organizadas, exibiam pergaminhos alinhados, tinteiros protegidos do sol e placas discretas anunciando cópias de contratos, registros de posse, cartas comerciais e genealogias. Homens e mulheres sentavam-se concentrados, escrevendo com rapidez treinada, enquanto clientes aguardavam impacientes ou discutiam termos em voz baixa. Edric sentiu que, finalmente, estava em um lugar que fazia sentido para sua busca.

Perguntou por Tavian com cuidado, primeiro a um aprendiz, depois a um escriba mais velho. As respostas iniciais foram vagas ou negativas, até que, após algumas tentativas, alguém ergueu o olhar ao ouvir o nome.

— Tavian? — repetiu o homem, pensativo. — Sim, conheço. Mas hoje não o encontrará aqui.

Edric inclinou-se, atento.

— Ele tem escolhido apenas trabalhos muito específicos ultimamente — continuou o escriba. — O tipo de serviço que rende o suficiente para uma semana inteira. Pode se dar a esse luxo. Conhece coisas que poucos conhecem.

A informação animou Edric mais do que gostaria de admitir. Perguntou, então, pelo endereço de Tavian — e percebeu o erro no mesmo instante. O semblante do homem fechou-se levemente.

— Não passamos esse tipo de informação — respondeu, sem aspereza, mas com firmeza. — Ainda mais a desconhecidos. Não seria correto.

— Desculpe — disse Edric de imediato. — Não pensei.

O escriba assentiu, aceitando o pedido de desculpas.

— Volte na próxima semana — aconselhou. — Talvez o encontre por aqui. Quando aceita um trabalho, costuma vir pessoalmente acertar os termos.

Edric agradeceu e afastou-se, absorvendo cada palavra. Não era o encontro que esperava, mas era mais do que tivera até então. Tavian existia. Era real. E, ao que tudo indicava, alguém que podia escolher quando e como trabalhar.

Com o estômago lembrando-lhe da hora, Edric procurou um lugar para almoçar. Enquanto comia, observava a cidade ao redor, agora com outros olhos. Myriath continuava caótica, mas começava a revelar padrões. Decidiu, ali mesmo, que não se limitaria a esperar pela próxima semana. Aproveitaria os dias seguintes para explorar a cidade, observar, ouvir, aprender. Tavian podia ser uma porta — mas não precisava ser a única.

Se havia caminhos para a magia além das torres distantes de Varethia, eles não seriam anunciados em voz alta. Estariam escondidos nas brechas, nas conversas que se tinham à mesa certa. Edric sabia que precisava de cautela. Já aprendera, em pouco tempo, o preço de chamar atenção demais.

Misturar-se à cidade não era algo natural para ele. Nunca fora. Mas Myriath exigia adaptação, e Edric percebia, com uma mistura de receio e determinação, que estava aprendendo. Devagar, tropeçando às vezes, mas aprendendo. Em breve, talvez, deixaria de parecer apenas um camponês perdido entre pedras antigas e passaria a ser mais um rosto entre tantos — e isso, em Myriath, podia significar sobreviver tempo suficiente para encontrar respostas.